O senador Flávio Bolsonaro (PL), sua esposa e as filhas do casal chegaram aos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28). O avião que o senador utilizou para fugir do Brasil aterrisou em um aeorporto de Miami nesta manhã.
O avião que transportou a família é um jatinho particular Gulfstream G400, aterrisou no aeroporto executivo Opa-locka, em Miami. Ainda não havia informaÇões, até a última atualização desta reportagem, sobre o proprietário da aeronave.
Flávio Bolsonaro ainda não havia se manifestado após a fuga até a última atualização desta reportagem.
A Polícia Federal (PF) apontou riscos “concretos e atuais” de fuga em pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apreender o passaporte e proibir a saída do país de Flávio Bolsonaro.
O senador, no entanto, descumpriu a decisão de Moraes, e não entregou o passaporte à PF no prazo determinado, até as 11h desta terça.
Na avaliação da PF, três elementos centrais indicavam que Flávio poderia deixar o Brasil sob a justificativa de suposta perseguição política:
a manifestação pública e direta do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, recomendando ao irmão a saída do país;
o expressivo poder econômico; e
a existência de estruturas já estabelecidas no exterior que poderiam viabilizar permanência prolongada.
O pedido da PF lembrou a declaração de Eduardo Bolsonaro em que ele defendeu que o irmão deixasse o país em caso de derrota na disputa ao Palácio do Planalto.
“Em entrevista concedida recentemente nos Estados Unidos, EDUARDO BOLSONARO, irmão do Senador FLÁVIO BOLSONARO, defendeu publicamente que este deixe o país caso não obtenha êxito no pleito eleitoral. Cabe recordar que EDUARDO BOLSONARO foi recentemente condenado pelo crime de coação no curso do processo”.
A decisão do ministro foi publicada na noite do domingo (25), no contexto de processo em que Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro, em um suposto esquema que envolveria empresas do jurista e bets. O caso segue em sigilo de justiça.
🔎 Flávio Bolsonaro tem passaporte italiano, concedido a ele em 2023, durante o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni. Pela determinação de Moraes, ele deveria ter entregado o documento estrangeiro.
➡️ O ministro também determinou o cancelamento de todos os passaportes emitidos pelo Brasil em nome de Flávio, incluindo os diplomáticos.
Flávio também é formalmente investigado em inquérito aberto para apurar a possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio negou que deixaria o país
Em um vídeo postado em uma rede social, nesta segunda-feira (26), Flávio afirmou que visitou o pai, ex-presidente Jair Bolsonaro, e que havia sido intimado pela PF a entregar o documento.
“Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai. Como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. E, quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e, no meio da rua, eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país”, relatou o senador, no vídeo.
“A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo, de 23/10, de que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é Justiça?”, prosseguiu.
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