O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (10/9) que o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), “agiu corretamente” ao tomar medidas “para colocar ordem” na crise envolvendo a Suprema Corte. Apesar do reconhecimento, Lula disse esperar que o magistrado adote novas providências para recuperar a credibilidade da instituição.
“Acho que o Fachin tomou a atitude correta. Não terminou de tomar as atitudes, eu espero que ele faça mais coisas para colocar ordem na casa e devolva a credibilidade que o povo brasileiro sempre teve na Suprema Corte”, disse ele em entrevista ao SBT, realizada no Palácio da Alvorada.
Durante a fala, o presidente voltou a defender uma investigação ampla sobre as suspeitas contra ministros do STF, para “apurar tudo, doa a quem doer.”
A tensão no Supremo escalonou a partir da divulgação de mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na semana passada. Desde então, dois ministros da Corte, André Mendonça e Alexandre de Moraes, pedem investigações um contra o outro por suas condutas.
Mendonça retirou o sigilo de autos do caso Master. Os documentos que vieram a público indicam que Moraes mantinha conversas com Vorcaro.
O ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, considerou haver “fortes indícios” de abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça na condução de processos das operações Sem Desconto e Compliance Zero, da PF, e encaminhou o caso ao presidente da Corte, Edson Fachin, no âmbito do Inquérito das Fake News.
Na terça-feira (8/9), Mendonça considerou que relatórios da PF utilizados por Moraes na decisão eram de “superlativa gravidade e ilicitude” e determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.
Segundo a decisão de Mendonça, o diretor-geral da PF encaminhou a Moraes ao menos seis “relatórios de inteligência” produzidos, de forma sigilosa, entre 3 e 31 de agosto de 2026. A peça aponta que o próprio André estava sendo monitorado ilicitamente por parte da inteligência policial havia mais de 30 dias.
Na quarta-feira (9/9), Flávio Dino julgou um recurso de Andrei e determinou a reintegração dele e de Leandro Almada aos respectivos cargos na Polícia Federal. No mesmo dia, Fachin suspendeu as decisões de Mendonça e de Dino envolvendo o comando da PF e determinou que o impasse seja levado ao plenário da Corte.
G1












